segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sítio Agudo

Acordo com o canto do galo

São quatro ou cinco da manhã

Faz um bom tempo que no mato

Afasto-me de meu cotidiano afã

Região serrana e vegetação rica

O que se planta nasce

O que se colhe

A fome não tem parte

Todos vivem muito bem, obrigado

Em seu vai e vem melindroso

Levando seus garrotes e bois

Para o pasto espaçoso

Diversas plantações de frutas e legumes

Erva, feijão, macaxeiras, tomates,

Limão, bananeiras, laranjas, abacates,

Mangueiras, pé de jaca e goiabeiras,

Pé de acerola, melancia e graviola.

O nome é sítio agudo

Onde não se tem miséria, tem de tudo

Só não tem água encanada

Pois essa é tirada direto da fonte

De um poço, por baixo da terra

Que se encontra abundante

Tem o sol e tem a chuva

E o ar de maravilha pura

Os cachorros latem,

Os pássaros fazem festa

Musicando essa bela paisagem

Escurece no sítio

E na varanda iluminada apenas pela lua

Dedilho um violão

A natureza é minha devoção

Depois descanso na rede

Comungando com a avó em sua oração.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Coletivo Perifatividade

No fundão do famoso bairro do Ipiranga

Na divisa com a região do grande ABCD

Surge o movimento

Mostrando a periferia como tem que ser

Atividade alegre, com música e poesia

Ações sociais que identificam ousadia

Ousadia de quem merece de quem cresce

De quem trabalha o ano todo

Mas da cultura não esquece

Intervenções na comunidade

Mostra-se o valor da bela arte

E quem chega pra somar

Desse movimento também faz parte

Dos quadros e telas

Paredes sem reboque

Grafites, estêncil e frases soltas

Que a elite entra em choque

É o movimento da coletividade

No Sarau PERIFATIVIDADE.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Contra a repressão e a tarifa de R$3,00

Nessa quinta-feira dia 17 de fevereiro, estive na 6º manifestação promovida pela MPL (Movimento Passe Livre), que se organiza desde o inicio do ano contra o aumento da tarifa de transportes públicos do município de São Paulo.
O movimento é organizado por estudantes universitários que reivindica seus direitos de ir e vir gratuitamente, obrigação constitucional do estado.
Essa legitima e pacífica manifestação em que se .aderiram outras organizações, coletivos e partidos políticos, vem sendo reprimida excessivamente por instituições que deveriam proteger a integridade dos cidadãos, não ocorrendo isso a questão é, o que ocorre com a mentalidade desses ditos defensores da lei e da ordem pública e os representantes do povo? Eis a resposta:
A manifestação teve inicio ao meio dia, no momento em que 6 companheiros estudantes se acorrentaram nas catracas que dão acesso ao elevador do edifício da Prefeitura, às 17 horas estava programado a mobilização em frente ao edifício. A principal reivindicação era apenas uma abertura de diálogo com o Prefeito Gilberto Kassab, para um acordo de redução de tarifa que o mesmo vigorou para R$3,00 no dia 05 de janeiro. Um aumento de 11,11% absurdo e abusivo, acima da inflação.
Cheguei ao viaduto do Chá às 16 horas, já haviam alguns manifestantes no local, e o que me surpreendeu foi a quantidade de policiais com seus armamentos e escudos, que nesse horário ultrapassava o nº de estudantes. Mais ou menos por volta das 18 horas, em que contabilizamos um nº de 500 pessoas aproximadamente, na grade que nos bloqueava o acesso a porta principal da prefeitura, entre gritos e comandos de redução de tarifa, foram lançados em nós spray de pimenta pelos GCM (Guarda Civil Metropolitano), nesse momento a confusão começou, o confronto durou cerca de 1 hora, a Polícia Militar junto a tropa de choque fizeram uma linha de enfrentamento com seus escudos, atacando-nos com balas de borracha, bombas de efeito moral, e gases lacrimogênio, no máximo o que partiu de nós foram alguns rojões que acendemos por resposta e uma mínima resistência, contra a agressão. Na correria alguns de nós foram atingidos, por balas de borracha, covardemente outros policiais cinco ou seis GCM's e PM's, imobilizaram enforcando, batendo e chutando um de nossos companheiros - entre as vítimas não foram só nós estudantes que foram alvejados covardemente por esses brutamontes fardados - mas jornalistas, câmeras e até vereadores como no caso de José Américo Dias, Juliana Cardoso e Antônio Donato, todos do PT, que comprovaram que os agressores não tinham nem sequer identificação.
A manifestação perdurou até às 23 horas, horário em que os 6 companheiros foram desacorrentados e saíram pela porta central da prefeitura, foi exigido pela PM que os mesmos fossem identificados e detidos, dessa forma rolou o impasse na negociação, pois qual a alegação de violação da lei que nossos companheiros estavam assumindo? Nenhuma!!! Sendo dessa forma eles só se identificaram e saíram do local.

É mais esse episódio deprimente que prova que a ditadura de décadas passadas, ainda repercuti e está enraizada na mentalidade dessa instituição chamada POLÍCIA MILITAR, sem preparo e sem o mínimo de respeito para com os cidadãos que luta pelos seu direitos. A mentalidade dessa representação política medíocre e aliada aos empresários e a burguesia, também nos comprova que a luta só está começando.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estrelas Opacas

Quando a tristeza for falida e sorriso perdurar.

Até que os músculos do rosto, já não puderem agüentar.

Quando a beleza de teu corpo, for exposta com sutileza,

e a sensibilidade de teu ser, afastar-se da maneira fútil e vulgar.

E valorizando as coisas simples da vida, bem vivida e não deixando se levar,

por marés de angústias e decepções, rancores e depressões.

Dos semelhantes falhos e ignorantes.

Quando os malefícios do materialismo estiverem sanados.

Por que são vários os vícios, que não são premeditados.

Quando a palavra AMOR.

Não tiver sido extraída apenas de um pobre dicionário.

Mas absorvida como base consolidada, de justiça evolutiva universal e pessoal.

Quando pensarmos que já estamos evoluídos,

Não olhando para o próprio umbigo.

Quando deixarmos o egoísmo o egocentrismo,

E a satisfação por acumulação de futilidades que nada nos adiciona como espírito.

Quem sabe assim poderemos dizer que estamos iniciados para o longo caminho.

O caminho da iluminação.

Pois somos estrelas, ainda opacas.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Conscientização Favela


Na favela

Entre becos e vielas

Subo e desço morro

Lá de cima observo tudo

Como mirante na visão do mundo

Universo de contradições

Percebo logo as intenções

Dos maquiavélicos conspiradores

Na posição de opressores

Detentores do poder

Com arma no coldre

Não querem nem saber

Chegam impondo ordens

Vitimizando alguns jovens

A única forma do Estado ausente

Se fazer presente

Como controle de revolta popular

Como controlar?

A luta pelos direitos

Que já estão a tardar.

Lutar, reivindicar...

Por educação, moradia

Subsistência e saúde com ousadia

Não se abalar, não recuar

Não deixar esses vermes

Pau mandado do sistema

Vir aqui nos intimidar

Evolução, construção

Movimentos de ação

Favela conscientização.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sinto muito

Sinto muito pelo que fiz

Ou em verdade

Pelo que deixei de fazer

Pelo que disse

Ou em verdade

Pelo que não soube

Ou deixei de dizer.


Sinto muito


Pelo que eu não falei

Pelo que eu não quis

Pelo tempo que perdi.


Por me preocupar demais

Por não ter corrido atrás

Por tanto me reprimir.


Se ao pensar demais

Se falo coisas sem nexo, banais

Se não faço você sorrir.


O meu jeito ignorante

Por vezes infantil e deselegante

O modo de olhar a ti.


A falta de experiência

A mínima competência

Para não deixar você partir.


Sinto muito.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fase poética

A poesia é criada em fases

Fases de solidão e de tristeza

De alegria, companhias e incertezas


As fases da poesia

Resumindo uma curta vida

Porém, eternas frases do poeta


Sua poesia expressada

Com minucioso sentimento

Relatando em sua face

Suas provas de momento.


Nas frases poéticas

Há estações e lugares oportunos

Em florida primavera

Num romântico passeio noturno


Em luar cheio

Com céu estralado

É a fase lunar perfeita

Para um poeta inspirado.